Steven Levy, em 1984, atribuiu a si a expressão que hoje faz referência à Ética Hacker, ao qualificar este mundo como um mundo de Super-heróis dispostos à revolução da computação e, se bem que é certo que muitos foram os casos em que o Black Hat Hacking causou a satanização do termo hacker, é também o seu contributo para o avanço da Tecnologia da Informação algo incontornável. Neste artigo, os Engenheiros ZARZA aprofundam o tema, após a grande aceitação de outros artigos que abordámos em semanas anteriores, onde contrastamos a doutrina atual com a apreciação prática na atualidade.
Ética Hacker, uma filosofia de valores e preceitos
A Ética Hacker é e tem sido centro de discussão entre hackers e não hackers, ao ser debatida desde o início da revolução da qual atualmente fazemos parte, e isto levou a que se começasse, já há algumas décadas, a consolidar uma série de condições aceites e que catalogam a opção de ser uma ciência que pode ser ensinada e dirigida, dentro e fora da comunidade.
Pekka Himanen, um reconhecido filósofo finlandês que, acompanhado de outros nomes de grande craveira, se posiciona como um expoente claro da doutrina hacker, partilha no ano de 2001 uma série de valores que, axiologicamente, constituem parte da teoria da Ética Hacker, com os quais desejamos começar esta análise e que listamos em seguida.
Valores dentro da Ética Hacker
- Paixão
- Liberdade
- Consciência social
- Verdade
- Anticorrupção
- Luta contra a alienação do homem
- Igualdade social
- Livre acesso à informação (conhecimento livre)
- Valor social (reconhecimento entre semelhantes)
- Acessibilidade
- Atividade
- Preocupação responsável
- Curiosidade
- Criatividade
- Interesse
Ao rever a lista vemos como passámos de qualificar os hackers como delinquentes informáticos perante a ameaça hacker e perguntamo-nos se, no final, serão tão maus como nos contaram? Esta diferença é basicamente compreensível entre os rapazes maus e os amantes do White Hat Hacking, pelo que estes valores, totalmente somados ao conceito de Ética Hacker, propõem de forma utópica o que todos os hackers deveriam perseguir e que, sem dúvida, em muitos casos, nem sequer conhecem esta lista.
No entanto, para aqueles que, como os Engenheiros ZARZA, se dedicam a proteger sistemas e a analisar cientificamente as vulnerabilidades e falhas da indústria, convertem-se numa lista de valores a seguir. Afinal, os Hackers são reflexo da humanidade, onde há bons, maus, e também muito bons e muito maus…
Outra perspetiva que já faz hoje parte da doutrina relacionada com a Ética Hacker é a apresentada por Erick S. Raymond, que lança 5 preceitos que hoje são aceites pela comunidade hacker:
Preceitos dentro da Ética Hacker
- O mundo está cheio de problemas fascinantes que esperam ser resolvidos.
- Nenhum problema teria de ser resolvido duas vezes.
- O aborrecimento e o trabalho rotineiro são perniciosos.
- A liberdade é boa.
- A atitude não é substituto para a competência.
É a Ética Hacker Utopia ou Justificação?
Depois de conhecermos tanto os valores como os preceitos, podemos iniciar a discussão que não teve fim desde que começou, onde alguns utilizam os conceitos de liberdade e os valores para justificar a sua atuação à beira da lei e onde, muitas vezes, são os inocentes os afetados.
No mundo moderno existem tantos sítios à margem da Lei, dentro e fora da Deep Web, que é difícil para as autoridades dos governos lutar contra um movimento crescente, onde, cada vez em idades mais precoces, o apaixonante mundo da Tecnologia da Informação seduz crianças que, inclusive pela sua idade, não podem ser julgadas em muitos lugares do planeta e que, com uma facilidade impressionante, ainda sem conhecer a diferença entre o real e o proibido, começam a mergulhar num mundo de ideais, onde os valores, sem dúvida, motivam lutas e guerras entre adultos, e que deturpam o conceito, tanto destes, como dos pretextos segundo o seu próprio critério, segundo a sua própria opinião.
Há caminho que ao homem parece direito, mas no final é caminho de morte.Provérbios 16:25, A Bíblia
É então que a Ética Hacker se volta contra o coletivo, ao ser analisada da perspetiva do que se acredita ou não ser correto, sem tomar em consideração o que, de forma consensual, a sociedade, através das suas leis, considera oportuno.
Trava a Ética Hacker os maus hábitos?
Na Internet Profunda vemos como alguns hackers, por exemplo, defendem os sítios e sistemas de organizações não governamentais, protegendo-os e intervindo em ataques de outros hackers… Também vemos como alguns se dedicam e realizam concursos para derrubar sítios de pornografia infantil e encaminhar, quais super-heróis, provas às autoridades, para que aqueles que lucram com o que eles consideram pouco ético sejam julgados… No entanto, é um número baixo, mas existente.
A Ética Hacker, tal como a Ética em geral, é um juízo de valores que muda geograficamente, de cultura para cultura, e onde o importante é estar sempre protegido perante o que outros considerem não apto, ou não próprio dos seus valores.
Para os Engenheiros ZARZA, que são formados dentro do White Hat Hacking, a Ética Hacker é um conceito em aberto, onde o importante são os valores do que se define em sociedade e o que devemos respeitar dentro ou fora das esferas do mundo hacker.


