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Dico

Dico

Por: Dico
Leonardo Sodré (O Globo)


A ex(in)cursão de Dico


Na música de Dico, a busca pelo novo com base em referências tradicionais é uma jornada que parte da África, berço de toda sonoridade popuniversal. É evocando os tambores do continente negro que o músico inicia sua jornada no álbum que acaba de lançar, produzido em parceria com Igo Santiago e Teteo Rivera. O registro traz uma viagem sonora pessoal, essencialmente reveladora e acessível, em que arranjos ousados e texturas leves conectam a simbiose dos elementos captados no idioma das ruas e dos alto-falantes. Na faixa "Avant-garde", que conta com participação luxuosa de Carlos Dafé, ícone da soul music brasileira, temos em seu deslocamento o encontro com o groove americano e o swing tupiniquim. Como se não bastasse a presença do "Príncipe do soul" para fazer da canção especial, o refrão poderoso e a virada surpreendente da guitarra de Igo Santiago, no fim, torna a canção avassaladora já na primeira audição.


A solidariedade futebolística do Fair play é evocada na sequência em um rock 'n' roll que escancara a formação baseada em mandamentos de referências a Jimi Hendrix e Led Zeppelin, absorvidos na escola da cena alternativa carioca que frequentou nos anos 90, integrando bandas de Punk e Hardcore. Daí, para o questionamento "O que é arte?!", temos mais um ponto de convergência referencial, que vai de Chico César

a Sciense. A Dicotomia do artista traduz todas as sobreposições e contradições que se agrupam em seu imaginário, permeado pelos ritmos brasileiros e visíveis influências do funk, soul, reggae, blues e jazz. Mas, ao mostrar que sua viagem é Atemporal, Dico vislumbra um horizonte sem ponto de chegada, em que o percurso é o que realmente importa.

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