Ouvir "Episódio 19. O poder da consistência"
Sinopse do Episódio
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quero falar-vos do poder da consistência, que é a repetição habitual e regrada de uma certa acção. Falo de elefantes, mamutes, corrida, cavaquinho e tricot – um pot pourri de assuntos que, juro, estão todos relacionados uns com os outros.
Espero que desfrutem.
Neste episódio mencionamos:
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
Podcast
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Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.
Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.
Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.
Esta semana, quero falar-vos do poder da consistência. E para que não fiquem dúvidas, deixem-me contar-vos o que entendo por consistência. Consistência é a repetição habitual e regrada de uma certa acção. No meu caso, por exemplo, consistência é desenhar todos os dias (ou seja, um pequeno desenho diariamente), é correr três vezes por semana (salvo lesões ou algum imprevisto, lá estou eu a correr no meu passo de tartaruga às quartas, sextas e Domingos), ou fazer yoga duas vezes por semana, apeteça ou não apeteça.
Confesso-vos: nem sempre apetece. Há dias em que não apetece desenhar, não apetece correr, não apetece fazer yoga. Que digo eu: há dias em que não apetece trabalhar, nem pensar na roupa que precisa de ser estendida. Há dias em que só apetece mesmo enroscar-me com uma mantinha e ler – bom, e dormitar, já agora.
Mas a consistência é isso mesmo: é repetir, de forma regrada, independentemente de apetecer, ou não apetecer.
E é assim que as coisas acontecem, as meias maratonas se correm e os grandes projectos se concluem: fazendo-os um bocadinho de cada vez.
Gosto muito daquele dito: “como é que se come um elefante? Cortando-o às postas.” E aqui é o mesmo: como é que se escreve e ilustra um livro? Como é que se prepara uma exposição? Como é que se aprende a tocar cavaquinho? Como é que se aprende a desenhar? A resposta é sempre a mesma: “cortando o elefante às postas”, ou, se preferirem outra expressão que também adoro, em “doses homeopáticas”.
Aqui há uns anos atrás, estava eu em processo de fazer o “Livro do Não”. Se numa primeira maquete do livro as ilustrações eram feitas com lápis de cor, ilustrações essas que me deram enorme prazer a desenvolver, depois, numa segunda versão, as ilustrações passaram a ser todas bordadas.
E sabem o que é um livro de 24 páginas com ilustrações bordadas? É um grande, mas mesmo muito grande, um gigantesco elefante. Para vos dar uma ideia do tempo que me levou a bordar as ilustrações, posso dizer-vos que só a parte de bordado me levou dez meses em que bordei todos os dias. Agora falta dizer a parte chave: bordei todos os dias, mas não todo o dia.
“Cortar o elefante às postas”, ou trabalhar com consistência, significa repetir pequenas coisas, ou “doses homeopáticas” de forma regular. E por isso, porque bordar um livro de 24 páginas se pode transformar num projecto tão gigante que depois nem sei por onde lhe pegar, decidi que até o completar, lhe dedicaria a primeira meia hora de trabalho todos os dias. Ou seja, fosse qual fosse o projecto principal em que fosse trabalhar em determinado dia, a primeira meia hora estava reservada para avançar um bocadinho no “Livro do Não”.
Houve mais que um dia, para não dizer muitos, em que lhe dediquei mais que a meia hora estipulada – afinal de contas, apanhava-me naquela onda zen a que os anglófonos chamam de “flow” e lá ia eu, perdida no tempo e no espaço, e a meia hora transformava-se em uma hora, em hora e meia… até que voltava a aterrar e me lembrava dos outros afazeres.
Mas houve também muitos dias de extremo desconforto, em que tive de pensar: “é só meia hora e depois podes mudar de projecto”. Esses dias foram mais frequentes no início, na altura em que andava à procura do caminho, e foram-se tornando cada vez mais esporádicos depois durante a execução. Mas sempre que precisava de tomar decisões criativas, ou avançar para uma próxima fase, havia momentos de dúvida que podiam chegar a ser excruciantes, e saber que só precisava de estar naquele desconforto durante a meia hora estipulada era um alívio.
Os meses foram passando, e ponto a ponto as ilustrações foram nascendo. A pilha de ilustrações por fazer foi diminuindo, à medida em que a pilha das ilustrações feitas foi aumentando. De cada vez que terminava uma ilustração, sentia-me feliz, mas também meio abananada – aquela ilustração, que tanta companhia me havia feito, estava pronta, e era altura de me dedicar à próxima. Estes momentos de transição nem sempre eram fáceis, mas nessas alturas pensava: “o combinado é meia hora”, e isso levou-me a completar o livro, e mais tarde a fazer a respectiva campanha de pré-venda, e, ao fim e ao cabo, todas as acções que me levaram a concluir esse gigante projecto. Confesso-vos que senti uma enorme satisfação no dia em que chegaram as caixas de exemplares do “Livro do Não” da gráfica. Quando as abri, folheei os livros e senti o seu cheiro a tinta e a textura do papel na minha mão, tive um momento de incredulidade: quase nem podia acreditar que ali estava o livro, e no entanto, era verdade. Tinha cortado aquele elefante, que digo elefante, tinha cortado aquele mamute às postas, e agora ali estava ele, terminado, lindo e cheiroso, nas minhas mãos.
Uma das coisas que notei enquanto fazia as ilustrações do “Livro do Não” foi a facilidade com que desenhava a forma humana. Mas atenção: desenhar pessoas não foi sempre fácil para mim! Tempos houve em que as desenhava recorrendo a vários truques estilísticos para ultrapassar a minha falta de prática.
O que mudou, entretanto, foi que ganhei prática a desenhar a figura humana. Já aqui contei noutros episódios de podcast que o que mais gosto de desenhar no meu diário gráfico é, precisamente, pessoas. Por exemplo, dispenso alegremente desenhar edifícios (todas aquelas janelas iguais, que tédio!), mas desenhar pessoas é o que me dá mesmo mais prazer. E por ter desenhado pessoas muitas vezes ao longo destes quase cinco anos de diário gráfico, hoje em dia tenho uma facilidade que antes não tinha.
Lá está: o poder da consistência. Como é que ganhamos prática a fazer qualquer coisa que não sabemos fazer? Fazendo um pouco, todos os dias.
Como é que se come um elefante? E quem diz um elefante, diz um mamute. Cortando-o às postas. Como é que se treina para uma meia maratona? Não é a fazer muitos quilómetros de uma só vez, mas sim fazendo poucos quilómetros de forma regular, e ir aumentando a carga. Como é que se aprende a tocar cavaquinho? Pois é, é da mesma maneira: tocando um bocadinho, todos os dias. E, no meu caso, a tocar canções que me apeteçam tocar: o meu reportório tem desde Marco Paulo a Billie Eilish, passando por Dua Lipa e Sitiados, e, posso dizer-vos, traz-me muitíssima alegria!
Qual é o principal problema da consistência? É que é preciso disciplina para equilibrar dois aspectos fundamentais: é preciso adequar o tamanho da sessão à energia que será necessária para manter a sua prática regular ao longo do tempo. Por outras palavras, quando estamos a começar e o entusiasmo é grande, pode ser muito tentador querer exagerar na carga das primeiras sessões, por exemplo: em vez de bordar só meia hora, bordar três horas; em vez de correr só os 5 km prescritos, correr logo 10; em vez de desenhar os 5 minutos propostos, fico logo uma hora e meia agarrada aos pincéis.
Qual é o problema desta abordagem? É que não é sustentável a longo prazo. A agulha de bordar deixa calos dolorosos, e no dia a seguir custa a pegar na agulha, então adiamos. Os músculos ficaram demasiado doridos depois dos 10 km que deviam ter sido só 5, e então não apetece fazer o treino de hoje. E hoje não tenho uma hora e meia para desenhar, então deixo para amanhã. O esforço foi maior do que devia para o tempo de recuperação que temos.
Por isso, marcar limites é fundamental: enquanto fazia o “Livro do Não”, o limite mínimo era meia hora; e o máximo, duas. Após esse tempo, já não via nada (de forma quase literal) e já me começava a doer o dedo. Nos treinos de corrida, faço os quilómetros propostos no treino do dia, nem mais, nem menos. E no desenho diário, o tempo médio é de 5 minutos. Posso demorar mais, se quiser, mas já sei que não é para estar a “mastigar” o desenho ou a adicionar-lhe detalhes que não trazem nada de novo.
Para quem quiser começar a desenhar todos os dias, está disponível um guia gratuito no meu site, em http://www.airdesignstudio.com/recursos . E para quem quer companhia a desenhar, temos encontro semanal marcado no Desenhamos Juntas, cujo link encontrarão nas notas deste episódio.
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
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