FC!#329 - Ars celebrandi - Desiderio Desideravi

30/04/2023 18 min Temporada 4 Episodio 329

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Sinopse do Episódio

Leitura da Carta Apostólica Desiderio Desideravi, do Papa Francisco, sobre a formação litúrgica do povo de Deus.
"48. Um modo para conservar e para crescer na compreensão vital dos símbolos da Liturgia é certamente o cuidado da arte de celebrar. Também esta expressão é objeto de diversas interpretações. Ela esclarece-se se for compreendida, tendo como referência o sentido teológico da Liturgia, descrito no número 7 da Sacrosanctum Concilium, a que já nos referimos diversas vezes. A ars celebrandi não se pode reduzir à mera observância de um aparato de rubricas, e ainda menos pode ser pensada como uma fantasiosa – por vezes selvagem – criatividade sem regras. O rito é por si mesmo uma norma e a norma nunca é fim para si mesma, mas está sempre ao serviço da realidade mais alta que quer salvaguardar.
49. Como qualquer arte, requer diversos conhecimentos.
Em primeiro lugar, a compreensão do dinamismo que descreve a Liturgia. O momento da ação celebrativa é o lugar em que, através do memorial se torna presente o mistério pascal para que os batizados, em virtude da sua participação, possam experimentá-lo na sua vida: sem esta compreensão cai-se facilmente no exteriorismo (mais ou menos refinado) e no rubricismo (mais ou menos rígido).
Em seguida, é preciso conhecer o modo como o Espírito Santo age em cada celebração: a arte de celebrar deve estar em sintonia com a ação do Espírito. Só assim estará a salvo de subjetivismos, que são o fruto da prevalência de sensibilidades individuais, e de culturalismos, que são aquisições acríticas de elementos culturais que nada têm a ver com um processo correto de inculturação.
Por fim, é necessário conhecer as dinâmicas da linguagem simbólica, a sua peculiaridade, a sua eficácia.
50. Destes breves acenos, resulta evidente que a arte de celebrar não se pode improvisar. Como qualquer arte, requer aplicação assídua. A um artesão basta a técnica; a um artista, para além de conhecimentos técnicos, não pode faltar a inspiração que é uma forma positiva de posse: o verdadeiro artista não possui uma arte, é possuído por ela. Não se aprende a arte de celebrar porque se frequenta um curso de oratória ou de técnicas de comunicação persuasiva (não julgo as intenções, vejo os efeitos). Qualquer instrumento pode servir, mas deve sempre submeter-se à natureza da Liturgia e à ação do Espírito. Há que dedicar-se diligentemente à celebração, deixando que seja a própria celebração a transmitir-nos a sua arte. Escreve Guardini: “Devemos dar-nos conta de quão profundamente ainda estamos enraizados no individualismo e no subjetivismo, de até que ponto nos desabituamos do apelo das grandezas e de como é pequena a medida da nossa vida religiosa. Deve despertar-se de novo o sentido do alto estilo da oração, a vontade de implicar também nela a nossa existência. Mas o caminho para estas metas é a disciplina, a renúncia a um sentimentalismo mole; um trabalho sério, feito em obediência à Igreja, em relação com o nosso ser e com o nosso comportamento religioso” [15]. É assim que se aprende a arte de celebrar”.
Texto completo em: https://falachicopodcast.com.br/desiderio-desideravi-2022
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Fala, Chico! é um podcast dedicado à leitura de cartas, encíclicas, exortações e homilias dos Papas e textos da Tradição da Igreja Católica, produzido, editado e apresentado por Eugênio Telles.
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