Cartão de crédito: herói ou vilão?

10/12/2014 23 min
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Sinopse do Episódio

Eta, alma, buraco sem fundo Que se vive tentando preencher Com deuses, com terapia Cartão de crédito, academia (Pitty, “Boca aberta”)       Este blog reúne vários posts sobre o uso do cartão de crédito, mas eu ainda não havia falado especificamente desse assunto tão importante. Do ponto de vista estritamente financeiro, não há dúvida de que pagar usando cartão de crédito é mais vantajoso do que pagar à vista. Por exemplo, se você vai comprar algo que custe R$ 400, pagar daqui a 30 dias pode significar um ganho de, no mínimo, R$ 2 em relação a pagar hoje (o rendimento mensal de 0,5% da poupança, aplicado aos R$ 400). “Ah, mas R$ 2 é pouco”, alguém dirá. Sim, mas, se nós pensarmos em uma fatura de R$ 1.000 e se levarmos em conta que há investimentos melhores que a poupança, que o prazo de pagamento pode chegar a 40 dias e que compras podem ser parceladas, o ganho pode ser maior. Mas é preciso tomar vários cuidados. Por exemplo, a anuidade. Não adianta nada a pessoa fazer ginástica financeira, escolher a melhor data para comprar, aplicar seu dinheiro em um fundo para, no final das contas, economizar, digamos, R$ 100 por ano, e pagar R$120 de anuidade no cartão. Mas esse não é, nem de longe, o pior dos riscos. Perigoso mesmo é o descontrole nos gastos. A regra número 1, nesse assunto, é: cartão de crédito NÃO é despesa, é MEIO DE PAGAMENTO. O que eu quero dizer com isso? Que, dentro de uma fatura de cartão, estão despesas dos mais variados tipos: supermercado, gasolina, roupas etc. Então, a pessoa, ao fazer o seu controle de gastos, não deve lançar uma despesa chamada “Cartão de crédito”, mas, sim, as várias despesas separadas por tipo. Aliás, uma das vantagens do cartão é que a fatura traz os detalhes de cada despesa, o que facilita muito que a pessoa conheça a si própria e aos seus hábitos de consumo. E a regra número zero é: cartão de crédito não faz desaparecer a obrigação, apenas a adia. Portanto, disciplina! Se for pagar algo com dinheiro, pense duas vezes. Se for pagar com cartão, pense três. Se for parcelar, pense mais ainda. Tenho um amigo que usa o cartão de crédito o máximo possível, não importa o valor da compra – paga até conta de menos de R$5, em padaria, sem pudor. Se pudesse, pagaria até o flanelinha que finge vigiar seu carro (aliás, em breve poderá pagar). E, se puder parcelar, melhor ainda. Mas, para que isso dê certo, ele tem um controle de gastos rigoroso. Cada vez que compra parcelado, compromete parte da sua capacidade de consumo no futuro. Assim, ele lança cada parcela – usa uma planilha Excel – no seu devido vencimento. É um dinheiro já gasto, esperando apenas para ser desembolsado. O preço do descontrole no cartão de crédito é o endividamento excessivo. As tentações vencem a disciplina, parcelas das compras passadas juntam-se aos gastos excessivos do presente e, de repente, a fatura vem maior que a capacidade de pagamento da pessoa. Que, então, não paga o valor total e, portanto, incorre em juros extorsivos. Não entre nessa! Cuidado com o cartão. Usado com responsabilidade é um meio excelente, pode trazer muitas vantagens. Mal utilizado, pode ser a ruína. Você conhece os “Três passinhos do cartão”? É um funk feito para uma campanha da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, que traz, de forma prática, orientações para o bom uso do cartão. É uma maneira criativa e lúdica de informar e educar as pessoas sobre como usar o cartão a seu favor, e não como uma arma contra si mesmas. Na verdade, os três passos são, basicamente, o que nós vimos falando aqui já há algum tempo. Tem muito a ver com nossa Santíssima Trindade da Educação Financeira. Só que, desta vez, embalado em um funk, um estilo musical que gruda facilmente na cabeça dos jovens – mesmo entre aqueles que não curtem o estilo. Quer ouvir o funk e conhecer os três passinhos? Quer saber mais sobre o bom uso do cartão de crédito? Então já sabe, ouça o podcast!

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