Poemas escolhidos de Gregório de Matos

04/06/2020 45 min

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Sinopse do Episódio

Hoje é uma aula sobre "Poemas escolhidos de Gregório de Matos", organizado por José Miguel Wisnik (leitura obrigatória do vestibular FUVEST)!Lista de livros obrigatórios do vestibular FUVEST neste ano:Poemas Escolhidos - Gregório de MatosQuincas Borba - Machado de AssisClaro Enigma - Carlos Drummond de AndradeAngústia - Graciliano RamosA Relíquia - Eça de QueirósMayombe - PepetelaSagarana - Guimarães RosaO Cortiço - Aluísio AzevedoMinha Vida de Menina - Helena MorleyBrusinha "quase" temática: https://www.instagram.com/cdbcamisetas/Poemas lidos no vídeo:À cidade da BahiaTriste Bahia! Ó quão dessemelhanteEstás e estou do nosso antigo estado!Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante,Que em tua larga barra tem entrado,A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante. Deste em dar tanto açúcar excelente Pelas drogas inúteis, que abelhuda Simples aceitas do sagaz Brichote. Oh se quisera Deus que de repente Um dia amanheceras tão sisuda Que fora de algodão o teu capote! ***Discreta, e formosíssima Maria,Enquanto estamos vendo a qualquer horaEm tuas faces a rosada Aurora,Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:Enquanto com gentil descortesiaO ar, que fresco Adônis te namora,Te espalha a rica trança voadora,Quando vem passear-te pela fria:Goza, goza da flor da mocidade,Que o tempo trata a toda ligeireza,E imprime em toda a flor sua pisada.Oh não aguardes, que a madura idadeTe converta essa flor, essa belezaEm terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.Dois poemas do Gôngora parafraseados por Gregório de Matos:Ilustre e formosíssima Maria (Tradução de Anderson Braga Horta) Ilustre e formosíssima Maria,enquanto deixam ver-se a qualquer horaem tuas faces a rosada Aurora,Febo nos olhos e na fronte o dia, e enquanto com gentil descortesiao vento move a fibra voadorade que é a Arábia em seus veios guardadora,que o rico Tejo nas areias cria; antes que, à idade, enfim, Febo eclipsadoe o claro dia feito em noite escura,refuja a Aurora do mortal nublado; antes que quanto hoje é ruivo tesourovença das brancas neves a brancura:goza, goza essa cor, e a luz, e o ouro.Soneto (“Mientras por competir con tu cabello”)Tradução de Érico NogueiraEnquanto, ao competir com teu cabelo,ouro brunido ao sol deslumbra em vão;enquanto com desprezo ao rés-do-chãoolha tua alva frente o lírio belo;enquanto atrás do lábio, por querê-lo,mais olhos que da rosa agora vão;e enquanto triunfa com afetaçãodo luzente cristal teu ser de gelo;goza gelo, cabelo, lábio e frente,antes que esta que foi hora dourada– ouro, lírio, rosal, cristal luzente –não só em prata ou flor estioladase torne, mas tu e tudo juntamenteem terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.