LUSOFONIAS - A fascinante e esquecida Mongólia

04/09/2023 6 min

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Sinopse do Episódio

Tony Neves

O Papa Francisco tem o carisma de ‘primeirear’, ou seja, de chegar antes dos outros. Assim se percebe esta Viagem Apostólica à Mongólia, a primeira feita por um Papa a um país que conta apenas com 1400 batizados, número residual a traduzir uma presença, aparentemente, insignificante. Sobrevoou 11 países, a cujos governantes enviou mensagens de felicitação e de esperança. Nem sequer deixou de saudar a Rússia e a China, país que negou aos seus Bispos a possibilidade de encontrar o Papa. Apenas os Bispos de Hong Kong e Macau puderam deslocar-se à Mongólia…
Acompanhemos, a par e passo, esta ‘peregrinação’ de Francisco. O encontro com as Autoridades, a Sociedade Civil e o Corpo Diplomático é sempre um excelente pretexto para o Papa evocar a doutrina social da Igreja. Recordou ‘os espaços imensos das vossas regiões, desde o deserto do Gobi à estepe, desde as grandes pradarias aos bosques de coníferas até chegar às cadeias montanhosas dos Altai e dos Khangai, com os seus inúmeros ziguezagues dos cursos de água, que, vistos do alto, parecem requintadas decorações em tecidos preciosos antigos: tudo isto é um espelho da grandeza e beleza de todo o planeta, chamado a ser um jardim hospitaleiro. A vossa sabedoria, a sabedoria do vosso povo, que se foi sedimentando ao longo de gerações e gerações de criadores de gado e cultivadores prudentes e sempre atentos para não romper os delicados equilíbrios do ecossistema, tem muito a ensinar a quem hoje não quer fechar-se numa míope procura de interesses particulares, mas deseja entregar aos vindouros uma terra ainda acolhedora, uma terra ainda fecunda. Aquilo que a criação representa para nós, cristãos, isto é, o fruto dum benévolo desígnio de Deus, vós no-lo ajudais a reconhecer e promover com delicadeza e atenção, contrastando os efeitos da devastação humana com uma cultura feita de cuidado e previdência, que se reflete em políticas de ecologia responsável’.
Pronunciando-se sobre a pequena comunidade católica, disse o Papa: ‘alegro-me que a comunidade católica, apesar de pequena e modesta, participe com entusiasmo e empenho no caminho de crescimento do país, difundindo a cultura da solidariedade, a cultura do respeito por todos e a cultura do diálogo inter-religioso, e trabalhando pela justiça, a paz e a harmonia social. Espero que uma legislação clarividente e atenta às exigências concretas permita aos católicos locais, ajudados por homens e mulheres consagrados vindos, em sua maioria, doutros países, a que possam prestar sempre à Mongólia o seu contributo humano e espiritual, sem dificuldades, em benefício deste povo’.
O Encontro com os Bispos, Sacerdotes, Missionários, Consagrados/as e Agentes de Pastoral, permitiu ao Papa esta partilha: ‘gastar a vida pelo Evangelho: é uma bela definição da vocação missionária do cristão e, em particular, do modo como aqui a vivem os cristãos. Gastar a própria vida pelo Evangelho!’. E lembrou aos governantes locais: ‘A Igreja, que nasce do mandato de Cristo, é uma Igreja pobre, que se apoia apenas numa fé genuína, na força desarmada e desarmante do Ressuscitado, capaz de aliviar os sofrimentos da humanidade ferida. É por isso que os governos e as instituições seculares nada têm a temer da ação evangelizadora da Igreja, porque esta não tem uma agenda política a concretizar, mas conhece só a força humilde da graça de Deus e duma Palavra de misericórdia e verdade, capaz de promover o bem de todos’.

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