Triangulações (III) - António Pazo Pires

21/07/2024 1h 50min

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Sinopse do Episódio

Terceiro episódio do nosso segmento "Triangulações" com o convidado António Pazo Pires – Psicanalista, (co)Diretor do mestrado em Psicologia Clínica Psicanalítica no ISPA, Formador na Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica. Conversa sobre o self múltiplo.

Em alguns pacientes o conhecimento dos seus múltiplos selfs está no limiar da consciência. Quando lhes dizemos “parece que existem duas [nome da paciente]. Uma que quer ser boazinha, que faz tudo para agradar aos outros, que, como diz, tem lá no fundo a ideia de ser uma santa, mas que acaba por se sentir contrariada, um peso, e que não reconhecem... e outra que quando não agrada aos outros fica a fustigar-se por não o ter feito, que é má pessoa, etc.”, a paciente responde-nos “é isso! sempre senti que eu era duas pessoas, sempre tive duas vozes a dizerem-me...”

Outros sofrem o impacto de diferentes selfs, mas estão longe de identificar a origem do seu problema. Só conhecem a ponta do iceberg e desconhecem toda a parte que está aparentemente tapada, mas bem visível. Por ex. um paciente tem um relacionamento íntimo, entra em conflito, vê-se a dizer e a fazer coisas que sabe que irão piorar as coisas, mas não consegue conter-se. Como se estivesse encarnando outra personagem que age por ele. Depois disso, sente-se confuso, não percebe por que age desta forma...

Neste podcast 1. Aborda-se a ideia de múltiplos selfs ou um self com múltiplas partes em contraste com uma mente unitária. A experiência de unidade é uma ilusão adaptativa adquirida no desenvolvimento e não contraditória com a perceção de múltiplas partes. 2. A dissociação, tal como o recalcamento, é uma função adaptativa saudável da mente humana e a base que mantêm as partes do self isoladas entre si. 3. A intervenção específica com múltiplas partes do self pode passar por fazer o paciente notar a sua existência; dar voz a cada uma delas, permitindo sentirem-se vistos, comunicarem e relacionarem-se ajudando o paciente a conhecê-las e a relacionar-se com elas. Esta intervenção pressupõe um self ou centro observador, de motivação, da ação, e intermediação das diferentes partes.