Ouvir "#13 - À beira de nós, à beira da... inteligência artificial (2a. parte)"
Sinopse do Episódio
Este episódio encerra a discussão sobre o impacto dos modelos amplos de linguagem da inteligência artificial na linguagem humana, especialmente as possíveis relações entre os textos literários e as respostas dos chats. Com o último teste experimental, anunciado no episódio 12, são
apresentadas as conclusões finais desta série dedicada à Inteligência Artificial.
Produção editorial: Maria Eulina Ramos.
Roteiro: José Luiz Pieroni Rodrigues.
Apresentação: José Luiz e Maria Eulina.
Referências bibliográficas:
- Barros, Manoel de. Menino do mato, Rio de Janeiro, Editora Alfaguara, 2010.
- Jornal O Estado de São Paulo, anos 2023/2024, edições dos dias:
. 21/27set2023.
. 16out2023.
. 17/19/24/28nov2023.
. 1/3/4/5/7/8/10/27/28/29dez/2023.
. 13/14/16/19/21/25/28jan 2024.
. 2/14/18/22/24fev2024.
- Revista VEJA, 17nov2023.
- Revista Isto é, 19nov2023.
(Os autores/títulos podem ser informados, se solicitado.)
Capa do episódio:
. Montagem da produção com imagem de vecstock, no Freepik.
"https://br.freepik.com/fotos-gratis/o-braco-robotico-segura-delicadamente-a-flor-de-aco-fresca-gerada-pela-ia_42597153.htm#page=2&query=gratis%20IA&position=34&from_view=search&track=ais"
Trilha musical:
. Rain, Simply Three, Álbum Undefined, Free Song.
. Calm Corporate, TheRatu, Adobe Stock. Licença: ASLC-29817509-47C330594E.
Transcrição do poema de Manoel de Barros
(III)
Por modo de nossa vivência ponho por caso Bernardo.
Bernardo nem sabia que houvera recebido o privilégio do
abandono.
Ele fazia parte da natureza como um rio faz, como um sapo faz, como o ocaso faz.
E achava uma coisa cândida conversar com as águas, com as árvores, com as rãs.
(Eis um caso que há de perguntar: é preciso estudar ignorâncias para falar com as águas?)
Ele falava coisinhas seráficas com as águas;
Bernardo morava em seu casebre na beira do rio — moda um ermitão.
De manhã, bem cedo, ele pegava de seu regador e ia regar o rio.
Regava o rio, regava o rio.
Depois ele falava para nós que os peixes também precisam de água para sobreviver.
Perto havia um brejo canoro de rãs.
O rio encostava as margens na sua voz.
Seu olhar dava flor no cisco.
Sua maior alegria era de ver uma garça descoberta no alto do rio.
Ele queria ser sonhado pelas garças.
Bernardo tinha visões como esta — eu via a manhã pousada sobre uma lata que nem um passarinhos no abandono de uma casa.
Era uma visão que destampava a natureza de seu olhar.
Bernardo não sabia nem o nome das letras de uma palavra.
Mas soletrava rãs melhor que mim.
Pelo som dos gorjeios de uma ave ele sabia sua cor.
A manhã fazia glória sobre ele.
Quando eu conheci Bernardo o ermo já fazia exuberância nele.
Fale conosco:
E-mail: [email protected]
Facebook: https://www.facebook.com/abeira.denos
apresentadas as conclusões finais desta série dedicada à Inteligência Artificial.
Produção editorial: Maria Eulina Ramos.
Roteiro: José Luiz Pieroni Rodrigues.
Apresentação: José Luiz e Maria Eulina.
Referências bibliográficas:
- Barros, Manoel de. Menino do mato, Rio de Janeiro, Editora Alfaguara, 2010.
- Jornal O Estado de São Paulo, anos 2023/2024, edições dos dias:
. 21/27set2023.
. 16out2023.
. 17/19/24/28nov2023.
. 1/3/4/5/7/8/10/27/28/29dez/2023.
. 13/14/16/19/21/25/28jan 2024.
. 2/14/18/22/24fev2024.
- Revista VEJA, 17nov2023.
- Revista Isto é, 19nov2023.
(Os autores/títulos podem ser informados, se solicitado.)
Capa do episódio:
. Montagem da produção com imagem de vecstock, no Freepik.
"https://br.freepik.com/fotos-gratis/o-braco-robotico-segura-delicadamente-a-flor-de-aco-fresca-gerada-pela-ia_42597153.htm#page=2&query=gratis%20IA&position=34&from_view=search&track=ais"
Trilha musical:
. Rain, Simply Three, Álbum Undefined, Free Song.
. Calm Corporate, TheRatu, Adobe Stock. Licença: ASLC-29817509-47C330594E.
Transcrição do poema de Manoel de Barros
(III)
Por modo de nossa vivência ponho por caso Bernardo.
Bernardo nem sabia que houvera recebido o privilégio do
abandono.
Ele fazia parte da natureza como um rio faz, como um sapo faz, como o ocaso faz.
E achava uma coisa cândida conversar com as águas, com as árvores, com as rãs.
(Eis um caso que há de perguntar: é preciso estudar ignorâncias para falar com as águas?)
Ele falava coisinhas seráficas com as águas;
Bernardo morava em seu casebre na beira do rio — moda um ermitão.
De manhã, bem cedo, ele pegava de seu regador e ia regar o rio.
Regava o rio, regava o rio.
Depois ele falava para nós que os peixes também precisam de água para sobreviver.
Perto havia um brejo canoro de rãs.
O rio encostava as margens na sua voz.
Seu olhar dava flor no cisco.
Sua maior alegria era de ver uma garça descoberta no alto do rio.
Ele queria ser sonhado pelas garças.
Bernardo tinha visões como esta — eu via a manhã pousada sobre uma lata que nem um passarinhos no abandono de uma casa.
Era uma visão que destampava a natureza de seu olhar.
Bernardo não sabia nem o nome das letras de uma palavra.
Mas soletrava rãs melhor que mim.
Pelo som dos gorjeios de uma ave ele sabia sua cor.
A manhã fazia glória sobre ele.
Quando eu conheci Bernardo o ermo já fazia exuberância nele.
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